Artigo – O apoio de pregadores das
Igrejas Pentecostais Evangélicas e mercadores da fé a candidatura do
negacionista, antipatriota e fascista Flávio Bolsonaro e a agressão a mãe de
Nosso Senhor Jesus Cristo. Roberto Ramalho é colunista do Portal RP-Bahia e
jornalista.
A articulação política em torno de Flávio Bolsonaro conta com o apoio de importantes lideranças de pregadores evangélicos e denominações pentecostais e neopentecostais, embora o setor também apresente divisões e resistências recentes.
O índice médio de apoio dos eleitores
evangélicos a Flávio Bolsonaro oscila entre 45% e 53% das intenções
de voto, a depender do instituto, do cenário de turno e do momento da
sondagem ao longo do ano de 2026. Após flutuações e perdas pontuais no meio do
ano, os levantamentos mais recentes do segundo semestre mostram uma
consolidação e ampliação da liderança do senador do PL nesse nicho religioso em
relação a Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, está presente nessa relação o
conceito de cristofascismo, alimentado por pregadores evangélicos de correntes
ideológicas de extrema-direita, ou seja, fascistas e nazistas.
O
conceito de cristofascismo brasileiro pode e deve ser
articulado com a reflexão de Walter Benjamin, que compreende o fascismo não como simples
regressão civilizatória, mas como algo inscrito nas próprias condições de
reprodução da modernidade liberal e burguês-capitalista, na qual opera
continuamente uma “estetização da política” (Benjamin, 2012).
Essa
operação estética - que implica uma simplificação da complexidade política -
favorece concepções conservadoras sobre moral, família e progresso,
frequentemente mediadas por formas de fundamentalismo, convertendo o todo
nacional em um estado de exceção efetivo.
Além
de Walter Benjamin, une-se a esse conceito e ideia de modo mais
direto a contribuição de Theodor Adorno. Isso em face do projeto
político em questão, já em seus momentos iniciais, pode ser analisado à luz de
sua reflexão sobre a propaganda fascista, que “não
é tanto a expressão de um conteúdo ideológico consistente quanto a utilização
de elementos simplificadores do discurso, sem maiores justificativas” (Adorno, 2019, p. 141). Para Adorno, o
agitador fascista deve ser compreendido menos como um pensador sistemático e
mais como um “técnico da psicologia de massas” (Adorno,
2019, p. 154).
Principais Lideranças e Pastores
apoiadores da candidatura do fascista Flávio Bolsonaro
Silas Malafaia: Líder da Assembleia de Deus Vitória em
Cristo e um dos principais aliados e defensores da família Bolsonaro no meio
religioso.
José Wellington Bezerra da Costa e José
Wellington Costa Júnior:
Respectivamente, liderança histórica e o presidente da Convenção Geral das
Assembleias de Deus do Brasil (CGADB), que engloba o Ministério do Belém e
recebeu agendas de campanha de Flávio Bolsonaro.
Abner de Cássio Ferreira: Presidente de uma das frentes do
Ministério de Madureira da Assembleia de Deus, alvo de aproximações da
pré-campanha.
Valdemiro Santiago: Líder da Igreja Mundial do Poder de
Deus, que recebeu visitas e cultos com a presença do senador.
Robson Rodovalho: Bispo da Igreja Sara Nossa Terra, que
transita no apoio político, mas também registrou ressalvas do meio evangélico a
respeito de polêmicas recentes.
Estevam Hernandes: Apóstolo da Igreja Renascer em Cristo.
César Augusto: Apóstolo da Igreja Fonte da Vida.
Sóstenes Cavalcanti: Deputado federal e pastor, atuando
como um dos principais articuladores políticos ligados ao bolsonarismo no
Congresso.
Principais Igrejas Envolvidas
Assembleia de Deus: Com suas diferentes convenções e
ministérios (como Belém e correntes do Madureira), é a base com maior
capilaridade e volume de apoios declarados ou negociados.
Igreja Mundial do Poder de Deus: Denominação neopentecostal que abriu
espaço em cultos para a movimentação do candidato.
Igreja Sara Nossa Terra: Denominação neopentecostal com
histórico de envolvimento político e alinhamento à direita.
Igreja Renascer em Cristo e Igreja
Fonte da Vida: Outras
grandes marcas neopentecostais cujos líderes mantêm proximidade com o arco de
alianças.
Recentemente, a padroeira do Brasil
cuja imagem é de uma negra e representa Nossa Senhora mãe de Nosso Senhor Jesus
Cristo, foi alvo de agressões verbais, de racismo e xenofobia, vindo dos
apoiadores e do próprio candidato de extrema-direita (FASCISTA) Flávio Bolsonaro
e dos mercadores da fé, ou seja, dos pregadores evangélicos de todas as
correntes do neopentecostalismo.
Praticamente todos esses pregadores
evangélicos fazem da religião uma mercadoria. E eles vendem de tudo. Nas Igrejas Pentecostais e Neopentecostais, a
oferta de produtos e objetos físicos durante os cultos é uma prática comum,
frequentemente associada à Teologia da Prosperidade e a campanhas de fé. É
importante esclarecer que, do ponto de vista teológico dessas instituições,
esses itens não são vendidos diretamente como "garantia de
salvação" eterna, pois a salvação da alma é pregada como algo que vem
pela fé em Jesus Cristo.
Referências
BENJAMIN, W. A obra de arte na era da
sua reprodutividade técnica. Em: Magia e técnica, arte e política:
ensaios sobre literatura e a história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012,
ADORNO, T. Estudos sobre a
personalidade autoritária. São Paulo: Editora Unesp, 2019.
ADORNO, T. W. Aspectos do novo radicalismo de direita. São Paulo: Editora Unesp, 2020.