terça-feira, 29 de setembro de 2026

Artigo – O apoio de pregadores das Igrejas Pentecostais Evangélicas e mercadores da fé a candidatura do negacionista, antipatriota e fascista Flávio Bolsonaro e a agressão a mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Roberto Ramalho é colunista do Portal RP-Bahia e jornalista.

A articulação política em torno de Flávio Bolsonaro conta com o apoio de importantes lideranças de pregadores evangélicos e denominações pentecostais e neopentecostais, embora o setor também apresente divisões e resistências recentes.

O índice médio de apoio dos eleitores evangélicos a Flávio Bolsonaro oscila entre 45% e 53% das intenções de voto, a depender do instituto, do cenário de turno e do momento da sondagem ao longo do ano de 2026. Após flutuações e perdas pontuais no meio do ano, os levantamentos mais recentes do segundo semestre mostram uma consolidação e ampliação da liderança do senador do PL nesse nicho religioso em relação a Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, está presente nessa relação o conceito de cristofascismo, alimentado por pregadores evangélicos de correntes ideológicas de extrema-direita, ou seja, fascistas e nazistas.

O conceito de cristofascismo brasileiro pode e deve ser articulado com a reflexão de Walter Benjamin, que compreende o fascismo não como simples regressão civilizatória, mas como algo inscrito nas próprias condições de reprodução da modernidade liberal e burguês-capitalista, na qual opera continuamente uma “estetização da política” (Benjamin, 2012).

Essa operação estética - que implica uma simplificação da complexidade política - favorece concepções conservadoras sobre moral, família e progresso, frequentemente mediadas por formas de fundamentalismo, convertendo o todo nacional em um estado de exceção efetivo.

Além de Walter Benjamin, une-se a esse conceito e ideia de modo mais direto a contribuição de Theodor Adorno. Isso em face do projeto político em questão, já em seus momentos iniciais, pode ser analisado à luz de sua reflexão sobre a propaganda fascista, que “não é tanto a expressão de um conteúdo ideológico consistente quanto a utilização de elementos simplificadores do discurso, sem maiores justificativas” (Adorno, 2019, p. 141). Para Adorno, o agitador fascista deve ser compreendido menos como um pensador sistemático e mais como um “técnico da psicologia de massas” (Adorno, 2019, p. 154).

Principais Lideranças e Pastores apoiadores da candidatura do fascista Flávio Bolsonaro

Silas Malafaia: Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e um dos principais aliados e defensores da família Bolsonaro no meio religioso.

José Wellington Bezerra da Costa e José Wellington Costa Júnior: Respectivamente, liderança histórica e o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB), que engloba o Ministério do Belém e recebeu agendas de campanha de Flávio Bolsonaro.

Abner de Cássio Ferreira: Presidente de uma das frentes do Ministério de Madureira da Assembleia de Deus, alvo de aproximações da pré-campanha.

Valdemiro Santiago: Líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, que recebeu visitas e cultos com a presença do senador.

Robson Rodovalho: Bispo da Igreja Sara Nossa Terra, que transita no apoio político, mas também registrou ressalvas do meio evangélico a respeito de polêmicas recentes.

Estevam Hernandes: Apóstolo da Igreja Renascer em Cristo.

César Augusto: Apóstolo da Igreja Fonte da Vida.

Sóstenes Cavalcanti: Deputado federal e pastor, atuando como um dos principais articuladores políticos ligados ao bolsonarismo no Congresso.

Principais Igrejas Envolvidas

Assembleia de Deus: Com suas diferentes convenções e ministérios (como Belém e correntes do Madureira), é a base com maior capilaridade e volume de apoios declarados ou negociados.

Igreja Mundial do Poder de Deus: Denominação neopentecostal que abriu espaço em cultos para a movimentação do candidato.

Igreja Sara Nossa Terra: Denominação neopentecostal com histórico de envolvimento político e alinhamento à direita.

Igreja Renascer em Cristo e Igreja Fonte da Vida: Outras grandes marcas neopentecostais cujos líderes mantêm proximidade com o arco de alianças.

Recentemente, a padroeira do Brasil cuja imagem é de uma negra e representa Nossa Senhora mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi alvo de agressões verbais, de racismo e xenofobia, vindo dos apoiadores e do próprio candidato de extrema-direita (FASCISTA) Flávio Bolsonaro e dos mercadores da fé, ou seja, dos pregadores evangélicos de todas as correntes do neopentecostalismo.

Praticamente todos esses pregadores evangélicos fazem da religião uma mercadoria. E eles vendem de tudo.  Nas Igrejas Pentecostais e Neopentecostais, a oferta de produtos e objetos físicos durante os cultos é uma prática comum, frequentemente associada à Teologia da Prosperidade e a campanhas de fé. É importante esclarecer que, do ponto de vista teológico dessas instituições, esses itens não são vendidos diretamente como "garantia de salvação" eterna, pois a salvação da alma é pregada como algo que vem pela fé em Jesus Cristo.

Referências

BENJAMIN, W. A obra de arte na era da sua reprodutividade técnica. Em: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e a história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012,

ADORNO, T. Estudos sobre a personalidade autoritária. São Paulo: Editora Unesp, 2019.

ADORNO, T. W. Aspectos do novo radicalismo de direita. São Paulo: Editora Unesp, 2020.