Artigo – O merecido título de
Doutor Honoris Causa ao padre Júlio Lancellotti, um verdadeiro cristão,
defensor dos pobres, dos humildes e dos marginalizados. Roberto Ramalho é
jornalista e colunista do Portal RP-Bahia
Reconhecido nacionalmente pela
defesa da população em situação de rua e pelo combate à fome, Padre Lancellotti foi
homenageado em cerimônia no Cine-Theatro Central, na quarta-feira, dia 10
desse mês e ano.
A proposta foi apresentada pela Faculdade de Serviço Social e aprovada por unanimidade pelo Conselho Superior (Consu) da UFJF, em
reconhecimento às mais de quatro décadas de dedicação de padre Júlio aos direitos humanos e à justiça social.
O Padre
Júlio Lancellotti é uma das
maiores referências do Brasil na luta pelos direitos humanos e na defesa das
pessoas em situação de vulnerabilidade. Como pároco na cidade de São Paulo, ele
dedica sua vida a amparar os marginalizados, enfrentando diariamente o
preconceito e a pobreza. Pedagogo, o religioso foi um dos fundadores da
Pastoral da Criança e um dos formuladores do Estatuto da Criança e do
Adolescente.
Antes da cerimônia na noite da
quarta-feira, 10, quando iria receber o título de doutor honoris causa
pela UFJF, o padre Júlio Lancelotti
se reuniu à tarde com a reitora Girlene Alves e integrantes da
Administração Superior da instituição. O religioso também concedeu entrevista à
imprensa.
A cerimônia começou às 19h, no
Cine-Theatro Central,
com entrada ao público em geral. Em sua
fala à imprensa, Padre Lancelotti
destacou a questão climática, relembrou as tragédias vividas por Juiz de
Fora e chamou a atenção para os possíveis impactos do fenômeno El Niño
no país.
Ao falar sobre os desafios da
crise climática e social, enfatizou que a sociedade não deve buscar respostas
apenas para a geração atual.
Afirmou ele: “Nós
sofremos as consequências das gerações anteriores e deixaremos consequências
para outras gerações. Nossa ação deve ser de resistência, resiliência e de uma
transformação histórica. Mesmo que nós não vejamos as respostas, não deixaremos
de lutar”.
E concluiu: “Todo
nosso conhecimento esmorece diante da sede”, frisou. O religioso
também enfatizou a importância da criação de espaços de acolhimento para a
população em situação de rua. Ao comentar políticas públicas, defendeu
estratégias mais diversas para atender a diferentes necessidades.
“Às vezes a política
pública dá só uma resposta para todos. Precisamos diversificar essas políticas
segundo a necessidade das pessoas”, destacou.
Padre Júlio também comentou sobre
a homenagem recebida, classificando o momento como de “muita gratidão e surpresa” diante da responsabilidade, que considera grande.
Seu trabalho social e de
evangelização destaca-se por ações concretas e posturas firmes:
Amparo aos Marginalizados: É o principal rosto da Pastoral
do Povo de Rua de São Paulo, onde atua distribuindo alimentos, kits de higiene
e prestando assistência direta a quem mais precisa.
Enfrentamento à Aporofobia: Ficou nacionalmente conhecido por
denunciar e combater a "arquitetura hostil" — estruturas instaladas
nos espaços públicos com o objetivo de afastar moradores de rua.
Legado Institucional: Sua luta inspirou a criação da Lei Padre Júlio Lancellotti (Lei Federal 14.489/2022), que proíbe o emprego de
materiais, estruturas e técnicas que dificultem ou impeçam o acesso e a
permanência da população de rua nos espaços públicos.
Defesa da Infância e Direitos: O religioso também foi um dos
fundadores da Pastoral da Criança e ajudou a formular o Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA).
Para conhecer mais sobre a sua trajetória e os princípios humanitários que norteiam o seu sacerdócio, você pode ler o perfil detalhado publicado pela Agência PUC-SP.
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