sábado, 18 de abril de 2026

Artigo – Primeiro-Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, lidera movimento anti-direita junto com Lula, Tim Walz e dezenas de líderes progressistas, de esquerda e centro esquerda em Barcelona na Espanha. Roberto Ramalho é Jornalista. Com Jornal Expresso de Portugal, Portal Deutsche Welle da Alemanha, e Site BBC Brasil

Foto de Ricardo Stuckert, Presidência da República

1.Introdução

Cerca de 15 líderes internacionais participam de encontro visando buscar resposta comum à ascensão de "onda reacionária". Neste ano, evento coincide com reunião da extrema direita europeia em Milão.

Entre os esperados para participar deste encontro estavam presentes os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro; da África do Sul, Cyril Ramaphosa; do Uruguai, Yamandú Orsi; do México, Claudia Sheinbaum; e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

A Alemanha foi representada no evento pelo vice-chanceler e ministro das Finanças, Lars Klingbeil. 

Disse ele: "Estou muito grato pelo convite de Pedro Sánchez para este encontro; é um sinal importante em um mundo cada vez mais dividido", disse o alemão, antes de destacar a importância da solidariedade e da cooperação internacional.

O primeiro-ministro espanhol defendeu neste sábado a regularização de migrantes: “Espanha é filha da migração e não vai ser mãe da xenofobia”, declarou Pedro Sánchez, defendendo um novo movimento no mundo face aos “ultradireitistas”.

Pedro Sánchez liderou em Barcelona a Mobilização Global de Progressistas, defendendo que o tempo da ultradireita já passou.

E afirmou taxativamente: “A vergonha mudou de lado, a vergonha é deles”.

2. O evento progressista com a participação de lideranças de esquerda e centro-esquerda de dezenas de países de todos os continentes

Durante dois dias, progressistas de todo o mundo reuniram-se em Barcelona para saírem da cidade espanhola com uma mensagem refrescada para mudarem o curso da história.

Cerca de 15 líderes internacionais participam do 4° Encontro em Defesa da Democracia, fórum lançado em 2024 pelo Brasil e pela Espanha, que neste ano coincide com um encontro de líderes e apoiadores da extrema direita europeia em Milão.

Destacou Pedro Sánchez em coletiva de imprensa nesta sexta-feira ao lado de Lula –presidente brasileiro realiza turnê na Europa, que inclui também Portugal e Alemanha: "Hoje, essa paz e os valores que a sustentam estão sendo claramente atacados por essa onda reacionária, por autoritários, pela desinformação – males que ameaçam a força de nossas instituições democráticas",

Embora ambos os líderes tenham se destacado no cenário global por se oporem frequentemente às políticas do presidente dos EUADonald Trump, Lula negou que o encontro seja uma reunião "anti-Trump".

Os democratas americanos acreditam que essa mudança já começou e nos Estados Unidos da América (EUA) vai ter um novo momento em novembro, nas midterms (eleições para a Câmara dos Representantes e para o Senado, a meio do mandato presidencial). Pedro Sánchez, o dinamizador da Mobilização Global de Progressistas (GPM em inglês) não tem dúvidas: “Os ultras e as direitas não gritam porque estão a ganhar, gritam porque sabem que o seu tempo está a chamar”.

“Muitos me conhecem como o tipo que não é o vice-presidente agora”, disse Tim Walz em frente a 6500 pessoas este sábado em Barcelona.

O discurso do democrata que perdeu as eleições americanas de 2024 juntamente com Kamala Harris foi dos mais importantes da Mobilização Global de Progressistas (GPM em inglês) pelo patrocínio dos americanos ao movimento que Pedro Sánchez e Lula da Silva tentam que saia de Barcelona para fazer frente aos “autoritarismos”, à “extrema-direita” e à direita que segue o mesmo caminho.

Mas também pelo tom que deixou no seu discurso: para o governador do Minnesota, Trump “é um ditador”, e o “fascismo” está espalhado pelo mundo.

O nome do presidente norte-americano até esteve mais ou menos afastado dos discursos - ainda que tenha sido o centro de todo o encontro -, mas o governador dos EUA foi direto ao ponto: “Temos um presidente disposto a dar um tiro em qualquer um e a entrar numa guerra quando nem sequer há ameaças, quando não há um plano previsto e não há alvos nucleares... Isso é fascismo, temos de o chamar pelo nome”.

Não estando presente no encontro, também Hillary Clinton, ex-Secretária de Estado norte-americana e candidata à Presidência em 2016, enviou uma mensagem a encorajar o movimento, que é “mais importante do que nunca” para “defender a liberdade, a justiça e a igualdade”.

Muito citado em todo o evento foi Zohan Mamdani, o presidente da Câmara de Nova Iorque.

Em vários discursos durante todo o GPMMamdani foi dado como exemplo de que algo no mundo está a mudar e que os progressistas têm caminho para percorrer. Não podendo estar em Barcelona por motivos de agenda, Mamdani enviou uma mensagem em vídeo para apoiar o movimento que Pedro Sánchez e Lula da Silva tentam impulsionar. Afirmou o prefeito de Nova York:Em momentos como este, em que vemos tantas crises e confrontos em todo o mundo, é fundamental que a liderança progressista se reúna”, disse.

E lembrou de histórias de trabalhadores de Nova Iorque que, diz, devem estar no centro das prioridades dos progressistas. Disse Zohan Mamdani “As desigualdades não são exclusivas da minha cidade. Temos de fazer juntos o nosso caminho para lutar e combater as desigualdades”, declarou.

Bernie Sanders fez um discurso mais apaixonado, agradecendo a Pedro Sánchez por falar contra a guerra de Trump e Netanyahu no Irão e Líbano e contra Putin na Ucrânia. Para o senador democrata, quando os oligarcas e as grandes companhias se juntam, os progressistas “também têm de trabalhar internacionalmente”. Na óptica de Sanders, estamos num duplo movimento: na política os grandes líderes estão a levar a uma “anarquia internacional” em que o “direito internacional é ignorado” e no plano económico, há uma “oligarquia global” de “muitos ricos que estão cada vez mais ricos” e que evitam e contornam as leis para pagarem impostos. No entanto, Sanders quis deixar uma mensagem de esperança: “As pessoas estão a lutar de volta”, dando como exemplo a eleição de Mamdani, mas também as grandes manifestações nos EUA nas últimas semanas.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez - que também é presidente da Internacional Socialista – e Lula, estiveram entre os principais palestrantes na sessão de encerramento nesse sábado. Com esses encontros, o primeiro-ministro espanhol reforça sua oposição a Trump, com quem entrou em conflito por causa dos gastos militares e da guerra no Irã, e ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, alvo de suas duras críticas, primeiro pela guerra em Gaza e depois pela guerra desencadeada no Líbano.

Declarou Gustavo Petro na sexta-feira em Barcelona, ​​em um evento organizado pela emissora pública RTVE e pela agência de notícias EFE: "Acho que a posição espanhola está na vanguarda da Europa, ou seja, confrontando o que eles fizeram com o Irã",

O presidente colombiano Gustavo Petro, cujas relações com Trump melhoraram após um encontro na Casa Branca em fevereiro e um telefonema em março, culpou Netanyahu por ter empurrado o presidente americano para "um bloco muito destrutivo contra a humanidade".

E concluiu afirmando: "Trump acaba em um bloco muito destrutivo contra a humanidade, impulsionado por Netanyahu, e não o contrário. Ele é impulsionado por Netanyahu, que tem amigos mais fortes no governo [americano] do que o próprio Trump".

3. Os senhores da ‘Guerra’

Na sexta-feira, em encontro com empresários, Lula afirmou que não quer guerra com o líder chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente americano, Donald Trump, ou qualquer outro líder.

Neste sábado, Lula repetiu esse discurso e criticou novamente o que chamou de ineficiência das Organização das Nações Unidas (ONU).

Afirmou Lula: "Hoje, a ONU não representa aquilo para a qual ela foi criada. Os membros permanentes do Conselho de Segurança, que era para garantir a paz do mundo, viraram os senhores da guerra."

Essa ineficácia, acrescentou, se deve à atuação dos membros permanentes de seu Conselho de Segurança (ChinaEstados UnidosFrançaReino Unido e Rússia).

Disse Lula: "Eles tomam decisões sem consultar a ONU. Para quem [George W.] Bush pediu para invadir o Iraque? Para ninguém. Para quem a França e a Inglaterra pediram para invadir a Líbia? Ninguém. Que mal [Muamar] Khadafi causava ao mundo? Nenhum. Para quem a Rússia pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. São decisões unilaterais que não respeitam o fórum do qual essas pessoas participam",

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também criticou o funcionamento do Conselho de Segurança, com a possibilidade de representação por embaixadores — e não pelos próprios líderes —, além do poder de veto dos membros permanentes sobre decisões aprovadas.

E questionando, afirmou: "Há quantos anos estamos tentando mudar a representação? Cadê a representação africana? Cadê a participação do México, do Brasil, da Argentina, da Colômbia? Cadê a participação da Índia? Tantos países importantes, como o Japão, poderiam participar. E por que não participam?".

Por fim, o presidente Lula citou a situação de Cuba, que, sob pressão após a prisão de Nicolás Maduro por Trump e sem apoio da Venezuela, enfrenta uma crise sem precedentes.

"Eu estou preocupado com Cuba, mas o problema é dos cubanos, não é um problema do Lula. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles."

4. O 4º Encontro em Defesa da Democracia e a Mobilização Progressista Global (MPG), realizados em Barcelona, Espanha, em 18 de abril de 2026, culminaram com um forte posicionamento de líderes mundiais contra a ascensão da "onda reacionária" e da extrema-direita global.

Os principais pontos da nota final e conclusões do encontro incluem:
  • Combate à Extrema Direita: Foco central no combate ao avanço de forças políticas autoritárias e populistas de extrema direita.
  • Defesa da Democracia e Multilateralismo: O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, lideraram o compromisso de proteger as instituições democráticas contra ameaças internas e externas.
  • Mobilização Popular: A Mobilização Progressista Global (MPG) destacou a necessidade de unir governos, ativistas e organizações de esquerda de todo o mundo para defender a justiça social.
  • Discurso de Esperança: Lula da Silva enfatizou a substituição do desalento pelo sonho e do ódio pela esperança, pedindo coerência e ação dos líderes progressistas.
  • Reação ao Cenário Internacional: O encontro tratou de temas como a desinformação, o desmonte de ajuda humanitária e a necessidade de fortalecer o Estado de Direito e o multilateralismo.
O encontro reuniu cerca de 15 líderes internacionais em Barcelona, fortalecendo a aliança progressista diante de novas configurações geopolíticas, como as mencionadas intervenções de Donald Trump.

5. Conclusão

Ao participar do fórum com líderes mundiais de esquerda neste sábado (18/4), em Barcelona, na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que as redes sociais precisam ser reguladas em âmbito global.

Afirmou o presidente Lula ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anfitrião do evento: "Vamos ser cada vez mais duros porque, se o Estado não agir, a gente não controla as chamadas plataformas digitais, que, de rede social, não tem nada. Pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo, muita jogatina e muito pouco social".

E foi mais contundente dizendo: "Precisamos regular tudo o que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país e não permita intromissão de fora, sobretudo em um ano eleitoral".

E concluiu o discurso afirmando: "Não é possível tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no planeta."

Para quem não sabe o que significa os termos extremismo de direita e fascismo, segue abaixo a definição de ambos os termos, abaixo:

Abaixo estão as definições e conceitos sobre extrema-direita, fascismo, nazismo e neonazismo, fundamentados em estudos históricos e políticos contemporâneos.

1. Extrema-Direita

Definição: A extrema-direita é um espectro político localizado à direita da direita tradicional (conservadorismo), caracterizado por posições radicais contra a democracia liberal, o multiculturalismo e, muitas vezes, contra a igualdade social.

Conceitos Chave:

Nacionalismo Agressivo/Etnonacionalismo: Defesa de uma identidade nacional homogênea, frequentemente baseada em raça ou herança cultural, opondo-se à imigração.

Autoritarismo: Desejo por um líder forte e ordem autoritária, rejeitando o pluralismo político.

Conservadorismo Social Extremo: Pautas focadas na família tradicional, oposição a movimentos feministas, LGBTQ+ e negros.

Teorias da Conspiração: Crença em "substituição populacional" ou planos ocultos de elites/imigrantes. 

2. Fascismo

Definição: Ideologia política surgida na Europa (Itália) no início do século XX, liderada por Benito Mussolini. É um regime totalitário que busca a subordinação total do indivíduo ao Estado.

Conceitos Chave:

Totalitarismo: O Estado controla todos os aspectos da vida pública e privada.

Militarismo e Violência: Uso de força física, terror e censura para eliminar opositores.

Anticomunismo e Antiliberalismo: Rejeição veemente da esquerda e da democracia liberal.

Culto ao Líder: Centralização do poder na figura de um "chefe" supremo. 

No Brasil, a extrema-direita e o Fascismo estão representados por partidos políticos como o Partido Liberal, cuja liderança ainda segue com Jair Messias Bolsonaro. Sua condenação se deu por questionar o resultado da eleição majoritária para presidente da República perdendo para Luiz Inácio Lula da Silva, e de anteriormente ter se reunido com os embaixadores para afirmar que as urnas não eram confiáveis e aceitáveis, sendo condenado por tentativa de Golpe de Estado arquitetado e tramado por ele, militares de alta patente das Forças Armadas, membros de seu governo, entre outros, desde outubro de 2022, até a manifestação de bolsonaristas-fascistas no dia 8 de janeiro de 2023 em Brasília, com apoio da elite da Polícia Militar, cujos comandantes também foram condenados e recentemente expulsos da Corporação por determinação do nobre ministro Alexandre de Moraes, com centenas de condenados pelos atos de depredação do patrimônio público, vandalismo, arruaça, assim como tentativa de Golpe de Estado fracassada graças à intervenção do setor de Segurança Pública do governo do Distrito Federal por ato do excelentíssimo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva que se encontrava em Araraquara na companhia do prefeito Edinho Silva, hoje presidente do PT.

Também, o governador Ibaneis Rocha que havia direta ou indiretamente participado – é até hoje bolsonarista de carteirinha, mas está alijado pelo PL para concorrer a uma vaga de senador pelo DF - foi afastado pelo ministro Alexandre de Moraes por algum tempo durante a tentativa de Golpe de Estado.

Hoje, em face de Jair Messias Bolsonaro estar inelegível, seu filho, Flávio Bolsonaro, foi indicado por ele para concorrer as eleições presidenciais desse ano como candidato pelo Partido Liberal, cujo presidente é o ex-condenado Valdemar da Costa Neto.

Os partidos de extrema-direita (Fascistas) são: o mencionado partido liberal, o NOVO, o Progressistas, o União Brasil, parte dos parlamentares e filiados ao PSD, parlamentares e filiados ao MDB, Democracia Cristã, que de cristã não tem nada e cujo candidato é Aldo Rebelo, que estranhamente e recentemente era filiado ao Partido Comunista do Brasil e que exerceu a função de Ministro da Defesa, cujas Forças Armadas aceitaram e acataram seu nome sem questionar, o que opino ter ele (Rebelo), ter revelado como funcionava o partido dito de extrema-esquerda que estava anteriormente filiado, e outros que se afirmam de centro.

Fontes de informação:

Jornal Expresso de Portugal.

Portal Deutsche Welle da Alemanha.

Site BBC Brasil.

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